Como identificar e evitar golpes digitais que miram pequenas e médias empresas

Helena Motta
26 de agosto de 2025

Pequenas e médias empresas (PMEs) tornaram-se um dos alvos favoritos de cibercriminosos. A percepção de que essas organizações têm defesas limitadas, cultura de segurança pouco madura e operações com terceirizações vulneráveis contribui para isso. Segundo o Mapa da Fraude 2025, da ClearSale, três em cada quatro vítimas de ataques cibernéticos no Brasil são pequenas ou médias empresas. E mais de 40% dos ataques globais registrados em 2024 miraram esse segmento. 


Este artigo apresenta os principais golpes digitais que atingem PMEs e oferece medidas acessíveis e eficazes para identificá-los e se proteger.

Por que PMEs são alvos frequentes de golpes digitais 

PMEs, muitas vezes, não possuem uma área de TI estruturada ou profissionais especializados em segurança da informação. Seus orçamentos são enxutos e priorizam operações e vendas, deixando a proteção de dados em segundo plano. Políticas de segurança costumam ser inexistentes ou pouco aplicadas, o que expõe as empresas a riscos como vazamentos, ransomware, phishing e fraudes financeiras. 


A menor visibilidade na mídia também é um fator: quando uma PME sofre um golpe, é improvável que a situação vire manchete, o que reduz a pressão sobre os criminosos. Além disso, terceirizações comuns em contabilidade, marketing e suporte técnico podem ampliar a superfície de ataque, principalmente quando não há controle sobre acessos e dispositivos compartilhados. 

Principais tipos de golpes digitais que miram PMEs

  • Phishing e spear phishing:

O phishing continua sendo o ponto de entrada mais comum para cibercriminosos. Em PMEs, ataques por e-mail simulando fornecedores, bancos ou órgãos oficiais têm alta taxa de sucesso. Versões mais sofisticadas, como o spear phishing, miram diretamente colaboradores com acesso administrativo ou autorização para pagamentos. 


  • Vishing:

O vishing é a realização de ataques oportunistas utilizando ligações telefônica. Para esse tipo de ameaça, o criminoso realiza chamadas para a vítima, com intuito de fingir ser parte do suporte técnico ou até mesmo um outro funcionário da empresa em que a vítima trabalha. A intenção desses ataques é conceder acesso remoto aos sistemas da empresa. Seu crescimento pode ser considerado alarmante, já que em 2024 essa modalidade cresceu espantosos 442%. 


Neste golpe, os criminosos interceptam comunicações financeiras, alterando dados de pagamento sem que o remetente perceba. Outra técnica envolve o envio de cobranças falsas, tanto para a própria empresa quanto para seus clientes. Muitas vezes, essas fraudes ocorrem em canais como WhatsApp, e-mail ou mesmo redes sociais com perfis falsos se passando pela empresa. Esse tipo de fraude também é muito comum entre pessoas físicas. 


  • Ransomware:

O sequestro de dados, ou ransomware, é um dos golpes mais devastadores para PMEs. A impossibilidade de acessar sistemas ou arquivos paralisa as operações e pode levar a prejuízos severos e até mesmo irreversíveis. O pagamento de resgates, geralmente em criptomoedas, não garante a recuperação dos dados. Em 2024, 79% dos ataques foram "fileless", ou seja, não usaram malware detectável, dificultando ainda mais a prevenção com antivírus tradicionais. 


  • Ataques a contas corporativas:

Com a venda de credenciais roubadas crescendo mais de 50% em 2024, muitos ataques começam com o uso de senhas fracas ou vazadas. Criminosos acessam e-mails, ERPs e ferramentas de comunicação interna, muitas vezes sem serem detectados. A partir disso, aplicam golpes em clientes e fornecedores, usando a própria identidade da empresa. 


  • Fraudes via WhatsApp ou redes sociais:

É comum que golpistas criem perfis falsos em redes sociais ou clonar o WhatsApp de um colaborador para aplicar fraudes. Com engenharia social, abordam clientes ou parceiros simulando vendas, cobranças ou ofertas especiais. A exposição da imagem da empresa nesses casos pode causar danos reputacionais graves. 

Sinais de que sua empresa pode estar sendo alvo ou vítima de golpe

Alguns sinais comuns incluem mudanças repentinas em dados bancários de fornecedores, reclamações de clientes sobre cobranças indevidas ou contatos estranhos e acessos não autorizados a contas corporativas. Também são indicativos: lentidão incomum nos sistemas, arquivos corrompidos ou bloqueados e mensagens com tom de urgência vindas de números desconhecidos. 


O tempo para que um invasor se mova do primeiro ponto comprometido para outro na rede caiu para 48 minutos em 2024, segundo a CrowdStrike. Isso mostra como os criminosos estão mais rápidos e eficientes, exigindo uma detecção quase em tempo real.

Como se proteger: medidas práticas e acessíveis 

  1. Eduque sua equipe: Mais de 90% dos ataques bem-sucedidos começam com um colaborador, não com um sistema. Simulações de phishing e treinamentos regulares ajudam a identificar tentativas de engenharia social e fortalecem a cultura de segurança. A empresa deve comunicar claramente como se relaciona com clientes, fornecedores e parceiros, reduzindo o risco de contatos fraudulentos. 
  2. Use autenticação em dois fatores (2FA): Todos os acessos da empresa (e-mails, sistemas bancários, ERPs) devem ter 2FA ativado. Prefira soluções com chaves de segurança física, resistentes a phishing. A proteção de identidades é hoje um dos pilares mais importantes da defesa digital. 
  3. Mantenha backups frequentes e isolados: Tenha cópias de segurança fora do ambiente principal e teste regularmente sua restauração. Um bom plano de contingência reduz o impacto de ataques como ransomware e permite retomada rápida das operações. 
  4. Invista em soluções básicas de segurança: Mesmo com orçamentos limitados, é possível implementar antivírus corporativo, firewall e monitoramento de acessos. Soluções de baixo custo, como ZTNA (Zero Trust Network Access), também ajudam a limitar o que cada usuário pode acessar. 
  5. Formalize processos de pagamento: Estabeleça verificacão dupla para mudança de dados bancários e adote procedimentos para autorização de transferências e boletos. Isso reduz a chance de que um golpe de engenharia social seja bem-sucedido. 

O que fazer se sua empresa for vítima de um golpe digital

A primeira ação é isolar os sistemas afetados para conter a propagação. Em seguida, informe sua equipe e parceiros sobre o ocorrido e acione suporte especializado para mitigar os danos. Registre boletim de ocorrência e preserve evidências. Se dados de clientes estiverem em risco, comunique as partes envolvidas e os órgãos competentes. 


Também é importante trocar senhas de todos os sistemas, informar operadoras de cartão ou bancos e reportar o golpe às plataformas utilizadas (e-mail, WhatsApp, marketplaces etc.). 

Conclusão

Segurança cibernética não é um luxo reservado às grandes corporações. Para as pequenas e médias empresas, ela é um diferencial competitivo e uma proteção essencial contra prejuízos financeiros e danos à reputação. 


Com planejamento, cultura de segurança e medidas simples de proteção, é possível blindar sua empresa contra as ameaças digitais mais comuns. Golpes evoluem a cada dia, mas a prevenção e a resposta rápida continuam sendo suas melhores defesas. 


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