Tendências de cibersegurança para 2026: o que muda na prática para as organizações

Helena Motta
19 de dezembro de 2025

A cibersegurança entrou em um novo momento. Se nos últimos anos o foco esteve em acompanhar a digitalização acelerada e o crescimento da nuvem, o cenário que se desenha para 2026 é mais estrutural: tecnologias avançando em ritmo exponencial, ataques cada vez mais automatizados e uma pressão crescente por maturidade, resiliência e governança. 


De acordo com análises recentes publicadas por veículos especializados e relatórios globais de segurança, o desafio deixa de ser apenas “proteger sistemas” e passa a envolver a capacidade das organizações de integrar segurança à estratégia do negócio, com visão de longo prazo. No artigo de hoje, reunimos as principais tendências que devem definir a cibersegurança em 2026, com base em relatórios de mercado, fabricantes e especialistas do setor. 

1. A convergência como novo modelo de cibersegurança 

 Segundo análise publicada pelo Security Leaders Brasil, a cibersegurança caminha rapidamente para um modelo de convergência tecnológica, no qual identidade, cloud, rede, aplicações e dados deixam de ser protegidos de forma isolada. Essa mudança reflete a complexidade dos ambientes atuais, marcados por multicloud, aplicações distribuídas e usuários acessando sistemas de diferentes contextos. 


O artigo destaca que soluções fragmentadas aumentam a complexidade operacional e criam pontos cegos, dificultando tanto a prevenção quanto a resposta a incidentes. Em 2026, a tendência é que as organizações priorizem plataformas mais integradas, capazes de oferecer visibilidade unificada e políticas consistentes de segurança. 


Essa visão também aparece no texto do ITShow sobre planejamento de cibersegurança para 2026, que reforça a necessidade de alinhar tecnologia, processos e pessoas. Segundo a publicação, segurança deixa de ser um conjunto de ferramentas e passa a ser uma capacidade organizacional contínua. 

2. Inteligência artificial: defesa e ataque em escala 

A inteligência artificial ocupa um papel central nas previsões para 2026. De acordo com o relatório Threat Predictions 2026, da Fortinet, a IA será cada vez mais utilizada para automatizar tanto a defesa quanto os ataques. Do lado defensivo, ela permite analisar grandes volumes de dados, identificar padrões de comportamento e acelerar respostas a incidentes. 


Por outro lado, o relatório alerta para o crescimento de ataques impulsionados por IA, incluindo campanhas de phishing mais realistas, exploração automatizada de vulnerabilidades e uso de deepfakes em golpes de engenharia social. Essa mesma preocupação aparece no artigo publicado pelo Executive Digest, com análise da Check Point, que descreve esse cenário como um “tsunami tecnológico”, marcado pela velocidade e pela escala das ameaças. 


Segundo a Check Point, a combinação de IA generativa com automação reduz drasticamente o tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração em larga escala. Para as organizações, isso significa menos margem para respostas manuais e mais dependência de mecanismos automatizados e inteligentes. 

3. Identidade se consolida como o novo perímetro 

De acordo com o Global Threat Report 2025, da CrowdStrike, ataques baseados em identidade seguem como um dos principais vetores de comprometimento. O relatório mostra um crescimento consistente no uso de credenciais válidas por atacantes, seja por roubo, reutilização ou engenharia social. 


Esse cenário reforça a ideia de que o perímetro tradicional já não existe mais. Em 2026, a identidade passa a ser o principal ponto de controle, exigindo abordagens mais sofisticadas do que apenas autenticação multifator. Segundo a CrowdStrike, cresce a adoção de modelos que combinam identidade, contexto, comportamento e nível de privilégio para reduzir riscos. 


O tema também aparece no artigo do ITShow, que aponta a necessidade de amadurecer práticas de gestão de identidades e acessos como parte do planejamento estratégico de segurança. A mensagem é clara: proteger identidades não é apenas uma decisão técnica, mas uma escolha diretamente ligada à continuidade do negócio. 


4. Cloud, edge e a busca por visibilidade contínua 

Ambientes multicloud e arquiteturas distribuídas continuam ampliando a superfície de ataque. De acordo com o Threat Predictions 2026, da Fortinet, a dinâmica desses ambientes dificulta a aplicação de controles tradicionais de segurança, exigindo políticas mais flexíveis e visibilidade constante sobre workloads, tráfego e acessos. 


Essa leitura é reforçada pela análise do Security Leaders, que destaca a dificuldade das organizações em manter coerência de segurança entre cloud, data center e edge. A tendência para 2026 é a consolidação de modelos que permitam monitoramento contínuo e aplicação consistente de políticas, independentemente de onde os recursos estejam. 


Na prática, isso significa tratar segurança como um processo dinâmico, capaz de acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas. Essa abordagem é algo essencial em ambientes que se transformam diariamente. 

5. Ransomware e a consolidação da resiliência cibernética 

O ransomware permanece como uma das principais ameaças globais, mas o discurso do mercado evoluiu. Segundo o relatório Ransomware Trends, da Veeam, mesmo organizações com altos níveis de investimento em prevenção continuam enfrentando impactos significativos após ataques, especialmente em termos de indisponibilidade e perda operacional. 



Vemos na mesma pesquisa que esse cenário impulsiona uma mudança de foco: da prevenção isolada para a resiliência cibernética. Em 2026, estratégias de backup, recuperação e continuidade de negócios passam a ser consideradas parte integrante da cibersegurança, e não apenas planos de contingência. 


O relatório da Fortinet também reforça esse ponto ao destacar que ataques modernos têm como objetivo principal paralisar operações, e não apenas exfiltrar dados. Isso exige uma abordagem mais ampla, que inclua resposta rápida, contenção e recuperação eficiente. 

6. Planejamento, governança e maturidade como diferenciais 

Além da tecnologia, cresce a importância do planejamento e da governança. Segundo o artigo do ITShow, organizações mais preparadas para 2026 são aquelas que tratam a cibersegurança como um processo contínuo, alinhado à estratégia corporativa e apoiado por métricas claras de maturidade. 


Essa visão também aparece na abordagem mais macro apresentada pela CartaCapital, que relaciona cibersegurança a riscos sistêmicos, impacto econômico e confiança digital. O texto reforça que segurança não é apenas um tema técnico, mas um elemento central para a sustentabilidade das organizações em um ambiente cada vez mais digital. 


Em 2026, a tendência é que empresas busquem traduzir riscos técnicos em impactos de negócio, apoiando decisões mais informadas por parte da liderança. 

O que esse cenário indica para 2026 

A leitura conjunta desses relatórios e análises aponta para um futuro menos fragmentado e mais integrado. A cibersegurança de 2026 será definida pela capacidade das organizações de combinar automação, inteligência, visibilidade e resiliência em uma estratégia contínua. 


Mais do que acompanhar tendências, o desafio estará em fazer escolhas coerentes, reduzir complexidade e construir uma postura de segurança capaz de evoluir junto com o negócio. Nesse contexto, contar com parceiros estratégicos e tecnologias alinhadas a essa visão integrada deixa de ser diferencial e passa a ser um requisito para quem busca crescer com segurança. 


Por Helena Motta 28 de janeiro de 2026
A nuvem se consolidou como base da infraestrutura digital moderna. Aplicações críticas, dados sensíveis e processos centrais de negócio estão cada vez mais distribuídos entre provedores de cloud, ambientes SaaS e data centers locais. Esse modelo trouxe escalabilidade, velocidade e redução de custos, mas também expandiu de forma significativa a superfície de ataque. Com o crescimento de ambientes híbridos e multicloud, a complexidade operacional aumentou. Empresas passaram a lidar simultaneamente com diferentes arquiteturas, modelos de segurança, políticas de acesso e mecanismos de monitoramento. Nesse contexto, surge uma percepção equivocada: a de que “a nuvem é segura por padrão”. Embora provedores ofereçam infraestrutura robusta, a responsabilidade pela proteção de dados, acessos, configurações e aplicações continua sendo da organização. O resultado é um aumento dos riscos operacionais e de segurança. Atacantes exploram lacunas entre ambientes, erros de configuração e identidades mal gerenciadas. A nuvem, longe de ser apenas um recurso tecnológico, torna-se um novo campo estratégico de defesa cibernética.
Os novos padrões de MFA em 2026: o que realmente funciona contra ataques avançados
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D urante anos, a autenticação multifator (MFA) foi tratada como o “antídoto definitivo” contra ataques baseados em credenciais. Implementar um segundo fator parecia suficiente para reduzir drasticamente o risco de invasões. Em 2026, essa lógica já não se sustenta sozinha. O avanço dos ataques baseados em identidade mostrou que nem todo MFA oferece o mesmo nível de proteção e, em alguns casos, pode até criar uma falsa sensação de segurança. Hoje, a pergunta central não é mais “sua empresa usa MFA?”, mas sim: que tipo de MFA está sendo utilizado e se ele é capaz de resistir a ataques avançados, automatizados e orientados por engenharia social. O mercado caminha para padrões mais inteligentes, adaptativos e resistentes a phishing, alinhados a estratégias de Zero Trust e proteção contínua de identidade.
IA como usuário: o futuro da identidade digital e o desafio da autenticação autônoma
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Infraestrutura de pagamentos: o que não pode falhar na Black Friday
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A Black Friday se consolidou como uma das datas mais importantes para o varejo digital, impulsionando picos de acesso e volumes de transações muito acima da média ao longo de poucas horas. Para as empresas, esse é um momento decisivo: além da oportunidade comercial, há também um aumento significativo da pressão sobre toda a estrutura tecnológica que sustenta a jornada de compra. Entre todos os componentes da operação, a infraestrutura de pagamentos é uma das partes mais sensíveis e a que mais impacta diretamente o faturamento. Diante desse cenário, preparar a infraestrutura de pagamentos é essencial para manter a operação estável, garantir altas taxas de aprovação e proteger a continuidade do negócio.  Neste artigo, exploramos os principais riscos, os gargalos mais comuns e as práticas fundamentais para enfrentar a Black Friday com segurança e eficiência. Continue a leitura!
Entenda o impacto do uso de IA generativa em ataques cibernéticos
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Neste artigo explicaremos como a IA generativa está sendo usada em ataques cibernéticos, quais são os impactos para as organizações e quais medidas práticas podem ser adotadas para mitigar esses riscos.
Usuário não-humano: o desafio da identidade digital para sistemas
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Neste artigo, vamos entender o que são usuários não humanos, por que eles representam um desafio para a segurança digital e o que sua empresa pode (e deve) fazer para gerenciar essas identidades com mais controle, visibilidade e proteção.
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Nesse artigo vamos compreender como as principais decisões estabelecidas na Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) impactam as empresas brasileiras.
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Quando pensamos em cibersegurança, é comum imaginar que a responsabilidade está apenas nas mãos da equipe de TI. Mas, na prática, as ameaças digitais estão cada vez mais ligadas ao comportamento das pessoas e ao uso estratégico da informação. E isso envolve diretamente outras áreas da empresa, como RH e Marketing. Esses dois setores lidam com dados sensíveis, canais de comunicação e relacionamentos essenciais para a reputação da marca. Por isso, também estão entre os alvos preferenciais de cibercriminosos. Neste artigo, vamos mostrar por que a segurança digital precisa ser compartilhada com todas as áreas do negócio, quais são os riscos que atingem diretamente o RH e o Marketing, e como essas equipes podem contribuir ativamente para proteger a empresa. Continue a leitura!
Ransomware as a Service: como o crime cibernético virou modelo de negócios
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O Ransomware é uma ameaça cibernética amplamente difundida e conhecida, mas nos últimos anos ele passou por uma espécie de industrialização com objetivo de potencializar os ganhos financeiros tanto de quem os cria quanto dos que o aplicam. Esse movimento causou um crescimento espantoso dessa ameaça, chegando ao ponto de ser declarada como uma ameaça à segurança nacional nos Estados Unidos. A escalada dos ataques tem afetado setores inteiros, com potencial de interromper serviços essenciais como hospitais, supermercados, sistemas de transporte e até fornecimento de energia. O impacto vai além do ambiente digital, podendo comprometer a operação e a reputação de uma organização por completo. Neste artigo, vamos mergulhar nesse assunto para compreender como o Ransonware as a Service (RaaS) funciona, assim como formas de evitar e minimizar sua ameaça.
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Pequenas e médias empresas (PMEs) tornaram-se um dos alvos favoritos de cibercriminosos. A percepção de que essas organizações têm defesas limitadas, cultura de segurança pouco madura e operações com terceirizações vulneráveis contribui para isso. Segundo o Mapa da Fraude 2025, da ClearSale, três em cada quatro vítimas de ataques cibernéticos no Brasil são pequenas ou médias empresas. E mais de 40% dos ataques globais registrados em 2024 miraram esse segmento. Este artigo apresenta os principais golpes digitais que atingem PMEs e oferece medidas acessíveis e eficazes para identificá-los e se proteger.