Vulnerabilidades em softwares de código aberto: riscos ocultos e como mitigá-los

Bruna Gomes
15 de julho de 2025

O código aberto está em toda parte. De sistemas operacionais a bibliotecas de desenvolvimento, passando por bancos de dados, ferramentas de automação e até soluções de segurança, o software open source faz parte da base tecnológica de milhares de empresas. Sua adoção cresceu com a busca por mais agilidade, menor custo e liberdade técnica e, por isso, se tornou uma escolha estratégica em muitos projetos.


Mas junto com os benefícios, surgem também responsabilidades. Diferente de soluções proprietárias, o código aberto não vem com garantias formais de suporte ou atualização. Cabe à própria empresa decidir como usar, validar, manter e proteger o que adota. E é nesse ponto que surgem riscos muitas vezes invisíveis: vulnerabilidades não corrigidas, falhas herdadas de bibliotecas externas, ou até problemas legais por uso indevido de licenças.


Neste artigo, você vai entender o que são softwares de código aberto, por que tantas empresas apostam neles, quais são os riscos mais comuns e, principalmente, como mitigar esses riscos. Vamos nessa?

O que são softwares de código aberto?

Antes de falar sobre riscos e soluções, é importante entender o que são, de fato, os softwares de código aberto. Também conhecidos como open source, são programas cujo código-fonte está disponível publicamente, permitindo que qualquer pessoa veja, use, modifique e distribua esse código conforme suas necessidades.


Ao contrário dos softwares proprietários, que mantêm o funcionamento interno sob sigilo e controlado por uma única empresa, o open source aposta na transparência e na colaboração. Isso significa que desenvolvedores de todo o mundo podem contribuir com melhorias, encontrar falhas, sugerir ajustes e adaptar o software a diferentes contextos.


Essa abertura também permite que as soluções evoluam de forma mais rápida e diversa. Grandes projetos de código aberto contam com comunidades ativas e engajadas, que revisam o código, testam novas funcionalidades e mantêm o sistema em constante atualização.


No ambiente corporativo, o uso de código aberto já é comum há anos e, muitas vezes, acontece de forma invisível. Bibliotecas que aceleram o desenvolvimento de aplicações, sistemas operacionais robustos (como o Linux), servidores, bancos de dados, plataformas de virtualização e até ferramentas de segurança são construídos ou sustentados por projetos open source.


Mas embora essa liberdade traga vantagens importantes, ela também impõe responsabilidades. A abertura do código não significa, por si só, segurança ou confiabilidade. E é por isso que entender esse modelo é fundamental para avaliar os riscos e decidir como usá-lo de forma segura dentro das empresas.

Por que empresas adotam soluções de código aberto?

O uso de software de código aberto nas empresas não é só uma tendência: é uma escolha estratégica. Diversas organizações (das startups às grandes corporações) vêm adotando soluções de código aberto para acelerar a inovação, reduzir custos e ter mais flexibilidade no desenvolvimento de produtos e serviços.


Uma das principais vantagens está no baixo custo de entrada. Como o acesso ao código é gratuito, empresas podem experimentar e implantar soluções sem arcar, de início, com altas licenças de uso. Isso não significa ausência de investimento, mas sim liberdade para direcionar recursos em personalização, suporte ou integração, conforme a necessidade.


Outro fator importante é a agilidade no desenvolvimento. Com o uso de bibliotecas e frameworks open source, equipes de tecnologia conseguem construir sistemas de forma mais rápida, aproveitando componentes prontos e validados por comunidades técnicas. Isso encurta o tempo de entrega e facilita a adaptação a novos desafios do mercado.


Além disso, o código aberto oferece uma grande flexibilidade técnica. Empresas podem modificar o software para atender requisitos específicos, integrar com outras soluções ou eliminar funcionalidades desnecessárias. Essa liberdade é especialmente valiosa em contextos em que o controle sobre a arquitetura e a infraestrutura é uma vantagem competitiva.


Por fim, há um aspecto estratégico: a independência de fornecedores. Ao adotar soluções de código aberto, a empresa não fica presa a uma única empresa para suporte, manutenção ou evolução do sistema. Isso amplia o leque de possibilidades e reduz o risco de interrupções ou dependência de contratos.


É por isso que, mesmo em setores críticos como finanças, saúde e telecomunicações, o open source tem ganhado espaço. Ele é visto como um catalisador de inovação, quando utilizado com responsabilidade e com atenção à segurança.

Quais os riscos de segurança associados ao código aberto?

Apesar das inúmeras vantagens, o uso de software de código aberto traz riscos que muitas vezes passam despercebidos. Isso acontece porque, diferentemente de soluções proprietárias, onde a responsabilidade pela manutenção e segurança recai sobre um único fornecedor, no modelo open source a responsabilidade é compartilhada.


Esses são os principais riscos que as empresas enfrentam ao adotar essa prática:


  • Falta de revisão ou validação do código: Como o acesso ao código é aberto, ele pode ser alterado por diferentes pessoas ao longo do tempo. Sem uma política interna de revisão e validação, a empresa pode incorporar trechos de código mal escritos, maliciosos ou inseguros.


  • Ataques à cadeia de suprimentos de software: Cibercriminosos sabem que, ao comprometer um projeto open source popular, podem afetar milhares de empresas de uma vez. Inserir código malicioso em bibliotecas legítimas se tornou uma estratégia comum e difícil de detectar sem ferramentas especializadas.


  • Vulnerabilidades não corrigidas: Nem todos os projetos de código aberto têm uma comunidade ativa ou estrutura sólida de manutenção. Quando falhas são descobertas, pode levar tempo até que uma correção seja disponibilizada ou ela pode nunca acontecer.


  • Falta de visibilidade sobre dependências indiretas: Um sistema pode depender de dezenas ou centenas de pacotes e bibliotecas. Muitas vezes, a equipe só acompanha os componentes principais, sem visibilidade total das dependências secundárias que também podem conter falhas.



  • Conformidade com licenças: Cada projeto tem suas próprias regras de uso, e ignorar isso pode gerar problemas legais. Utilizar um componente com uma licença incompatível ou sem cumprir suas exigências pode expor a empresa a sanções e litígios, especialmente em produtos comerciais.


Esses riscos não significam que o código aberto é inseguro por natureza. O problema está no uso sem critério ou sem controle. Quando não há processos internos de governança, monitoramento e atualização, o que era uma solução eficiente pode se transformar em um ponto cego dentro da estrutura de segurança da empresa.

Como mitigar riscos em softwares de código aberto

Os riscos associados ao código aberto existem, mas podem ser controlados com uma abordagem estruturada e preventiva. O segredo está em não tratar o open source como algo automático ou isento de gestão. Com processos claros, ferramentas adequadas e acompanhamento contínuo, é possível aproveitar os benefícios da tecnologia sem comprometer a segurança da empresa.


Veja algumas boas práticas que ajudam a mitigar esses riscos:


  • Adote uma política interna de uso de open source:
    Defina diretrizes sobre quais tipos de projetos podem ser utilizados, como devem ser avaliados e quem é responsável pela validação. Ter uma política formal evita decisões isoladas e reduz o risco de uso descontrolado.


  • Avalie a reputação e a manutenção do projeto:
    Antes de adotar qualquer biblioteca ou ferramenta, verifique se o projeto é ativo, com atualizações frequentes, base de usuários relevante e histórico de correções. Projetos abandonados tendem a acumular falhas não resolvidas.


  • Monitore vulnerabilidades conhecidas:
    Mantenha um acompanhamento constante sobre possíveis falhas nos pacotes e bibliotecas utilizadas. Identificar vulnerabilidades com antecedência permite agir de forma preventiva e reduzir o risco de exploração.


  • Mantenha as dependências sempre atualizadas:
    Estabeleça rotinas para revisar e atualizar pacotes e bibliotecas com frequência. Isso pode ser automatizado, mas exige disciplina e validação técnica antes da implantação em produção.


  • Faça análise de código antes da implementação:
    Sempre que possível, revise o código de bibliotecas externas, principalmente se forem pouco conhecidas ou modificadas internamente. Isso ajuda a identificar comportamentos suspeitos ou funções desnecessárias.


  • Evite dependências desnecessárias:
    Quanto menos pacotes forem usados, menor a superfície de ataque. Avalie se cada componente realmente é necessário ou se existe uma alternativa mais segura, integrada ou nativa à plataforma utilizada.


  • Estabeleça governança sobre a cadeia de suprimentos de software:
    Mapeie as dependências diretas e indiretas dos sistemas da empresa, e acompanhe o ciclo de vida desses componentes. Ter visibilidade sobre a cadeia de software é essencial para responder rapidamente em caso de falha.


  • Invista em capacitação técnica da equipe
    Desenvolvedores e times de infraestrutura precisam estar preparados para lidar com os desafios do open source. Treinamentos sobre segurança em desenvolvimento e boas práticas ajudam a fortalecer a postura da empresa desde o código.


Essas ações não eliminam todos os riscos, mas criam uma base sólida de controle e prevenção. O uso de código aberto pode ser um grande aliado da inovação desde que venha acompanhado de uma estrutura madura de segurança e governança.

Conclusão

O uso de código aberto segue sendo um dos principais motores da inovação tecnológica. Sua flexibilidade, alcance e agilidade são inegáveis, mas não vêm isentos de responsabilidade. À medida que as empresas adotam essas soluções, cresce também a necessidade de adotar uma postura madura e estruturada em relação à segurança.


Mitigar riscos em projetos open source não depende apenas de tecnologia, mas de governança, processos claros e uma visão estratégica sobre o ciclo de vida do software. Isso envolve decisões conscientes sobre o que adotar, como manter e como monitorar.


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