O papel do líder na proteção cibernética da empresa

Bruna Gomes
17 de junho de 2025

O cenário da segurança cibernética está cada vez mais desafiador. A cada dia surgem novas ameaças, mais sofisticadas e difíceis de detectar, exigindo atenção constante e respostas rápidas. Com isso, os líderes técnicos, especialmente os responsáveis diretos pela segurança da informação, estão sobrecarregados, estressados e, muitas vezes, trabalhando no limite.


A verdade é que proteger uma organização não pode ser tarefa de uma única área. A responsabilidade pela segurança digital precisa ser compartilhada por toda a liderança. Em um ambiente cada vez mais conectado, qualquer decisão estratégica (de negócios, operações, tecnologia ou pessoas) pode impactar diretamente a integridade dos dados e a continuidade do negócio.


Neste artigo, você vai entender por que a cibersegurança deve estar na agenda dos líderes, quais são os riscos da ausência de envolvimento e como decisões do dia a dia influenciam o nível de proteção da empresa. Continue a leitura!

Por que a segurança digital não deve ser só responsabilidade de TI?

Por muito tempo, a segurança cibernética foi tratada como um problema técnico e restrito às áreas de TI, mas esse cenário mudou. Hoje, proteger os ativos digitais de uma empresa envolve decisões que passam por estratégia, reputação, operação e até o modelo de negócios. E, por isso, a liderança precisa estar diretamente envolvida.


Uma pesquisa do Gartner, mostra que essa mudança de percepção já está em curso: 88% dos conselhos administrativos enxergam a segurança cibernética como um risco de negócio, e não apenas como uma questão técnica. Esse dado reflete uma compreensão mais ampla de que falhas em segurança podem afetar a continuidade da operação, a confiança do cliente, a reputação da marca e o valor de mercado da empresa.


Ainda segundo o Gartner, 13% das organizações já instituíram comitês específicos de segurança cibernética, com supervisão direta de líderes de alto escalão. E a tendência é que essa responsabilidade se torne ainda mais formal: até 2026, pelo menos 50% dos executivos de nível C terão metas de desempenho vinculadas ao risco cibernético em seus contratos. Isso mostra que o tema está, de fato, ganhando espaço nos níveis mais altos de decisão.


Esse movimento exige uma mudança de postura. Em vez de tratar a segurança como um conjunto de ferramentas isoladas, ela precisa ser encarada como um componente central da estratégia do negócio, que influencia investimentos, governança, processos e cultura.


Mais do que responder a ameaças, o desafio agora é garantir a integridade dos ativos de TI e aumentar a resiliência cibernética da empresa como um todo. E isso só é possível quando a liderança assume seu papel e direciona o negócio com consciência sobre os riscos digitais envolvidos.

Como a falta de liderança enfraquece a segurança da informação

Quando a liderança se ausenta das decisões relacionadas à segurança da informação, a empresa fica exposta a riscos que vão muito além da parte técnica. A proteção cibernética depende de alinhamento, da prioridade e do direcionamento da alta gestão. Sem esse apoio, alguns problemas passam a se repetir:


  • Falta de prioridade na agenda executiva: a segurança acaba sendo vista como um custo ou um detalhe técnico, e não como uma parte crítica da continuidade do negócio. Com isso, projetos de proteção são constantemente adiados ou subestimados.
  • Investimentos desalinhados com o nível de risco: quando a liderança não participa da análise de risco, é comum que os recursos destinados à segurança sejam insuficientes ou mal direcionados, deixando brechas abertas que poderiam ser evitadas com uma estratégia mais clara.
  • Desconexão entre áreas: a ausência de uma visão integrada faz com que cada área da empresa atue de forma isolada, adotando práticas e ferramentas sem coordenação. Isso gera sobreposições, lacunas e aumenta a complexidade da gestão da segurança.
  • Políticas que não são respeitadas: regras sem respaldo da liderança tendem a ser ignoradas. Quando as diretrizes de segurança não têm apoio institucional, elas perdem força e viram apenas documentos formais, sem aplicação real.
  • Respostas lentas a incidentes: sem um plano definido e sem envolvimento da gestão, o tempo de resposta em caso de ataque aumenta, o que pode ampliar os danos, dificultar a contenção e comprometer a imagem da empresa.


A consequência disso é uma organização vulnerável, com baixa maturidade em segurança e pouca capacidade de reagir a um cenário de ameaças cada vez mais complexo. Para mudar essa realidade, os líderes precisam estar preparados não apenas para delegar, mas para tomar decisões informadas, conscientes e alinhadas com os riscos de informação que envolvem o negócio.

Decisões estratégicas que impactam diretamente a proteção digital

A segurança cibernética não está isolada em um setor técnico. Ela é afetada e, muitas vezes definida, por decisões estratégicas tomadas diariamente pela liderança. Desde a escolha de parceiros até a estruturação de novos produtos, quase todas as movimentações de negócio têm impacto direto no nível de exposição digital da empresa.

Alguns exemplos ajudam a deixar isso mais claro:


1. Adoção de novas tecnologias:

A decisão de migrar sistemas para a nuvem, adotar soluções de inteligência artificial ou implantar ferramentas de automação precisa levar em conta os riscos associados. Sem a avaliação adequada, essas iniciativas podem abrir portas para vulnerabilidades que não estavam no radar.


2. Terceirização de serviços e fornecedores:

Sempre que a empresa compartilha dados com terceiros — seja em áreas de marketing, atendimento ou logística — está ampliando sua superfície de ataque. Se a análise de segurança não fizer parte do processo de contratação, a empresa pode assumir riscos que não controla.


3. Fusões, aquisições e parcerias:

Movimentos de crescimento também exigem atenção. Ao integrar sistemas e equipes, a empresa passa a lidar com diferentes padrões de segurança e, às vezes, herda vulnerabilidades que estavam ocultas.


4. Expansão para novos mercados ou modelos de negócio:

Entrar em um novo segmento pode exigir a adequação a normas regulatórias específicas, além de uma nova estrutura de dados e acessos. Ignorar essa complexidade pode gerar riscos operacionais e legais.


5. Desenvolvimento de produtos e canais digitais:

Sempre que a empresa cria uma nova interface com o cliente, como um app, e-commerce ou área logada, está criando também um novo ponto de entrada para possíveis ataques. A segurança precisa ser pensada desde a concepção do projeto.


O ponto central aqui é simples: a segurança digital não pode entrar na conversa só depois que a decisão já foi tomada. Ela precisa estar presente desde o início, como parte da avaliação estratégica. Isso exige que os líderes incorporem esse olhar em seu processo decisório e contem com apoio técnico qualificado para avaliar riscos antes de avançar.

O envolvimento da liderança na cibersegurança

As decisões tomadas no alto da estrutura organizacional definem prioridades, moldam comportamentos e influenciam diretamente o nível de proteção de uma empresa. Quando líderes assumem um papel ativo na segurança digital, as ações deixam de ser pontuais e passam a fazer parte da estratégia. Esse envolvimento acontece em diferentes frentes:


  • Orçamento e recursos:

Segurança exige investimento contínuo em ferramentas, infraestrutura, pessoas e treinamento. E é papel da liderança definir prioridades e garantir que a proteção digital não fique para depois. Um orçamento bem planejado mostra que a empresa leva a sério a cibersegurança e permite que os times técnicos trabalhem de forma preventiva, e não apenas reagindo a incidentes.


  • Gestão de risco:

Nem todo risco é técnico. Muitos envolvem decisões de negócio: abrir uma nova filial, adotar um sistema em nuvem, terceirizar um serviço, expandir equipes. Cada uma dessas ações pode abrir novas portas para ameaças digitais. Quando os líderes participam ativamente da gestão de riscos, é possível tomar decisões com mais consciência e prever vulnerabilidades antes que elas se tornem problemas.


  • Desenvolvimento de políticas:

Políticas de segurança definem o que é aceitável ou não dentro da empresa, desde o uso de dispositivos pessoais até a resposta a incidentes. Mas essas regras só ganham legitimidade quando são apoiadas por quem lidera. A participação da liderança no processo de construção, aprovação e comunicação dessas políticas é essencial para que elas saiam do papel e sejam, de fato, adotadas.


  • Cultura organizacional:

A maneira como a liderança fala sobre segurança influencia diretamente o comportamento das equipes. Se o tema é tratado como algo técnico e distante, dificilmente os colaboradores vão se envolver. Agora, quando os líderes trazem o assunto para as reuniões, compartilham aprendizados e valorizam boas práticas, criam um ambiente em que a segurança faz parte da cultura e não apenas de um protocolo.


  • Governança e reputação corporativa:

A segurança digital também passou a ser vista como um indicador de responsabilidade organizacional. Empresas que se posicionam de forma transparente sobre seus riscos e práticas ganham mais confiança do mercado. De acordo com o Gartner, até 2026, 30% das grandes organizações terão metas ESG públicas com foco em segurança cibernética. Isso mostra que segurança não é mais só uma pauta interna, mas faz parte da imagem da empresa, da governança e da percepção de valor por parte de clientes, investidores e parceiros.


Quando esses pontos são compreendidos e assumidos pela liderança, a empresa amadurece e a segurança deixa de ser uma área isolada e passa a ser um compromisso institucional. 

Conclusão

Como vimos, a proteção cibernética não é responsabilidade exclusiva da área de TI. Ela começa nas decisões da liderança, passa pela cultura organizacional e se reflete em cada processo, produto e relação com o mercado. Empresas que reconhecem esse papel estratégico da segurança estão mais preparadas para crescer de forma sustentável e responder com agilidade diante de qualquer ameaça.


Esse movimento exige mudança de postura. Abandonar modelos antigos e assumir a segurança como parte da estratégia do negócio é um passo essencial para garantir resiliência digital, integridade dos dados e confiança dos clientes.


A Contacta apoia empresas nesse processo com uma abordagem integrada. Atuamos lado a lado com lideranças para fortalecer a governança, ampliar a visibilidade sobre riscos e construir uma base sólida de proteção, alinhada aos objetivos da organização. Se a sua empresa está pronta para dar esse passo, conte com a gente nessa jornada!


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