Pharming: o que é e como se proteger dessa ameaça

Bruna Gomes
6 de maio de 2025

Quando o assunto é golpe digital, a maioria das pessoas já ouviu falar de phishing, vírus e ataques a senhas. Mas existe um tipo de ameaça mais silenciosa e menos conhecida que pode colocar em risco dados pessoais e informações importantes da sua empresa, mesmo quando tudo parece normal: o pharming.


Esse tipo de ataque é sorrateiro. Ele não depende de um clique errado ou de um e-mail suspeito. Na verdade, ele pode acontecer mesmo quando você digita o endereço certo de um site confiável. E justamente por isso ele é tão perigoso.


Neste artigo, você vai entender o que é o pharming, como ele funciona, quais riscos ele representa para usuários e empresas, e, o mais importante, o que fazer para se proteger. Continue a leitura!

O que é pharming e como ele funciona

Imagine que você entra no site do seu banco, digita o endereço, confere se está tudo certo na barra do navegador e, ainda assim, cai em uma página falsa criada para roubar suas informações. Esse é o risco real por trás do pharming, um tipo de golpe digital que se aproveita justamente da confiança que a gente tem em endereços que já conhecemos.


Diferente do phishing, que normalmente depende de um e-mail malicioso ou de um link enviado por mensagem, o pharming atua nos bastidores. Ele altera a rota entre o que você digita no navegador e o site que realmente aparece na sua tela. Pode ser que o ataque ocorra diretamente no seu computador, mudando configurações de rede, ou no servidor DNS (o sistema que traduz endereços como “meubanco.com.br” para os números certos que apontam para o site real).


Na prática, o que acontece é um redirecionamento silencioso. Você tenta acessar um site legítimo, mas é levado para uma cópia quase perfeita, criada por criminosos. A intenção é fazer com que você entregue seus dados (como senha, CPF, número do cartão...), acreditando que está em um ambiente seguro.


Esse tipo de ataque é perigoso porque dispensa cliques suspeitos ou comportamento estranho por parte da vítima. Basta estar conectado a uma rede comprometida ou ter tido o computador infectado por um malware. É como se alguém trocasse as placas da rua onde você mora: você segue o caminho de sempre, mas acaba parando no lugar errado e só percebe quando já é tarde demais.

Pharming vs phishing: qual a diferença?

É comum confundir pharming com o phishing. Os dois golpes têm nomes parecidos e o objetivo final é o mesmo: enganar pessoas para roubar informações. Mas o jeito como cada um funciona é bem diferente e entender isso ajuda a saber onde estão os riscos e como se proteger melhor.


No phishing, o golpe depende da ação da vítima. O criminoso envia um e-mail, mensagem de WhatsApp ou anúncio falso tentando te convencer a clicar em um link ou baixar um arquivo. É aquele clássico e-mail dizendo que você ganhou um prêmio, que sua conta foi bloqueada ou que tem uma entrega pendente. Tudo é feito para criar urgência e te levar a agir sem pensar. Ao clicar, você acaba caindo em uma página falsa ou instalando um programa malicioso no celular ou computador.


Já no pharming, o ataque não precisa de um clique. Ele acontece mesmo quando você digita o endereço certo do site. A diferença é que, no caminho entre o que você digitou e o site que deveria aparecer, alguém já alterou a rota. O redirecionamento acontece de forma invisível e o site falso é feito para se parecer muito com o original. Ou seja, enquanto o phishing depende da isca, o pharming muda o mapa.


No dia a dia, os dois golpes podem até se complementar. Um phishing pode instalar um vírus que abre caminho para um pharming. Por isso, mesmo que a gente ache que está atento a e-mails suspeitos, é importante pensar na segurança como um todo e garantir que os caminhos da internet que a gente usa todos os dias não tenham sido alterados sem a gente saber.


Principais riscos do pharming  

O grande problema do pharming é que ele engana até quem tem o hábito de conferir o link antes de clicar. Como o golpe age de forma invisível, tanto usuários quanto empresas acabam expostos sem perceber. E os impactos disso vão além do roubo de senhas.


Quando uma pessoa cai em um site falso, os danos podem acontecer em diferentes frentes:


  • Roubo de dados pessoais: informações como CPF, endereço, telefone e até dados bancários podem ser coletados sem que o usuário perceba.
  • Clonagem de cartões e contas: ao digitar dados sensíveis em um site falso, como número do cartão ou senha do banco, a pessoa entrega tudo diretamente para o criminoso.
  • Instalação de malwares: alguns sites fraudulentos usam o acesso para instalar programas espiões ou vírus no dispositivo da vítima, abrindo caminho para ataques futuros.


Para empresas, os riscos aumentam ainda mais. Além dos problemas financeiros, um ataque de pharming pode afetar diretamente a imagem da marca:


  • Perda de confiança do cliente: se alguém for vítima de um golpe tentando acessar o site da sua empresa, mesmo que o problema não tenha sido causado internamente, a credibilidade pode ser abalada.
  • Roubo de credenciais corporativas: funcionários conectados a redes comprometidas podem acabar expondo logins e acessos internos, o que coloca dados estratégicos em risco.
  • Comprometimento da rede: um dispositivo infectado dentro da empresa pode ser a porta de entrada para ataques maiores, como ransomwares ou vazamento de dados sensíveis.


Esses impactos não acontecem só em grandes empresas ou com quem trabalha com tecnologia. O pharming atinge desde o cliente comum acessando um e-commerce, até o colaborador de uma PME fazendo login no sistema da empresa. Por isso, prevenir é sempre mais seguro (e mais barato) do que correr atrás do prejuízo depois.

Como identificar um ataque de pharming 

Reconhecer um ataque de pharming não é simples, já que ele age nos bastidores. Mas existem alguns sinais que podem acender o alerta e quanto mais atento você estiver, menores as chances de cair numa armadilha.


Mesmo digitando o endereço certo do site, se algo parecer fora do normal, vale a pena parar e olhar com mais atenção. Aqui vão algumas coisas que podem indicar que o acesso foi redirecionado para um site falso:


  • O cadeado de segurança (HTTPS) está ausente ou estranho: sites legítimos usam criptografia, e o famoso cadeado na barra de endereço precisa estar lá. Mas atenção: só o cadeado não garante tudo. É importante também clicar nele e verificar se o certificado digital está válido e realmente pertence ao site que você quer acessar.
  • A aparência do site mudou sem motivo: se o site que você acessa todo dia está com um visual diferente, com erros de formatação ou uma navegação esquisita, pode ser um sinal de que algo está errado.
  • Solicitações incomuns de dados: se o site começa a pedir informações que normalmente não são solicitadas — como senha de email, número completo do cartão, token de acesso — é bom desconfiar.
  • O endereço do site parece certo, mas algo não bate: alguns ataques de pharming mantêm o endereço igual ao original. Mas, em alguns casos, o domínio pode ter pequenas variações, como trocas de letras ou domínios falsos parecidos (ex: .net no lugar de .com.br).
  • Lentidão anormal ou falhas de carregamento: páginas falsas muitas vezes não têm a mesma estrutura técnica dos sites verdadeiros. Se o carregamento estiver estranho ou com links quebrados, pode ser um sinal de alerta.
  • Seu navegador ou antivírus emite alertas: ferramentas de segurança mais atualizadas podem identificar alterações suspeitas na rota de navegação e emitir avisos. Não ignore essas mensagens.


Essas pistas, sozinhas, podem parecer pequenas. Mas quando mais de um sinal aparece, vale a pena parar, fechar o site e revisar as configurações de rede, especialmente o DNS — que é onde muitos desses ataques se escondem. A desconfiança, nesse caso, pode evitar um prejuízo grande.

Boas práticas para se proteger do pharming

Depois de entender como o pharming funciona e o que ele pode causar, o próximo passo é saber como se proteger. Não existe solução mágica, mas é possível reduzir bastante os riscos com medidas simples no dia a dia — tanto pra quem usa a internet em casa quanto para quem cuida da segurança numa empresa.


Algumas boas práticas fazem diferença real:


  • Mantenha o sistema e o navegador sempre atualizados: falhas antigas são o principal ponto de entrada para ataques. Manter as soluções de segurança ativas e atualizadas ajuda a identificar alterações suspeitas no sistema, inclusive tentativas de redirecionamento.
  • Evite redes Wi-Fi públicas ou desconhecidas: redes abertas podem ser manipuladas para interceptar sua navegação. Se for preciso usar, prefira uma conexão via VPN.
  • Configure o DNS com servidores seguros: muitos ataques de pharming se aproveitam de falhas no DNS para redirecionar o usuário a sites falsos. Garantir que essa configuração esteja segura e sob controle é uma forma de reduzir riscos.
  • Cheque os certificados dos sites com frequência: mesmo que o endereço esteja certo e o cadeado apareça, vale clicar e conferir se o certificado digital está em dia e registrado para o site correto.
  • Eduque quem usa a rede: numa empresa, todo mundo precisa entender os riscos — não adianta ter boa infraestrutura se as pessoas clicam ou digitam sem atenção. Treinamentos curtos e frequentes ajudam bastante.
  • Monitore o comportamento da rede: soluções mais robustas conseguem detectar alterações no tráfego e impedir que dispositivos da empresa sejam redirecionados para sites maliciosos.


A ideia aqui é criar hábitos que ajudem a navegar de forma mais segura. O pharming é discreto, mas com atenção e boas práticas, é possível manter o controle e evitar danos maiores.

Conclusão

O pharming pode não ser o golpe mais conhecido, mas é justamente essa baixa visibilidade que o torna perigoso. Ele se aproveita de brechas pequenas e da rotina acelerada de quem usa a internet todos os dias, para não levantar suspeitas. Entender como ele funciona e como se proteger já é um passo importante, tanto para pessoas quanto para empresas que dependem da confiança digital para operar.


Se sua empresa quer evitar esse e outros tipos de ameaça, é essencial contar com um ambiente de segurança bem estruturado, com tecnologias atualizadas e apoio especializado. A Contacta ajuda negócios de diferentes tamanhos a fortalecer sua proteção digital com soluções práticas, análise técnica e acompanhamento próximo.


Quer saber como a gente pode ajudar o seu time a se proteger melhor? Fale com a Contacta e descubra o que uma estratégia de segurança bem planejada pode fazer por você.


Por Helena Motta 11 de fevereiro de 2026
Durante muito tempo, segurança de rede foi praticamente sinônimo de proteger o perímetro. Bastava ter um bom firewall na entrada e organizar os ativos internos por zonas relativamente estáticas. Esse modelo funcionava bem quando aplicações estavam concentradas em data centers próprios, usuários trabalhavam majoritariamente dentro da empresa e os fluxos de comunicação eram previsíveis. Esse cenário mudou radicalmente. Hoje, a maioria das organizações opera em ambientes híbridos, multi-cloud, com workloads distribuídos, colaboradores remotos, APIs expostas e integrações constantes com terceiros. Nesse contexto, ataques modernos deixaram de focar apenas no ponto inicial de invasão e passaram a explorar, de forma sistemática, a movimentação lateral dentro das redes. Esse padrão é amplamente documentado em relatórios de ameaças da CrowdStrike, no Verizon Data Breach Investigations Report e no framework MITRE ATT&CK, todos reconhecidos como referências na área. É justamente nesse ponto que segmentação e microsegmentação deixam de ser apenas boas práticas técnicas e passam a ser elementos estratégicos da arquitetura de segurança.
Por Helena Motta 28 de janeiro de 2026
A nuvem se consolidou como base da infraestrutura digital moderna. Aplicações críticas, dados sensíveis e processos centrais de negócio estão cada vez mais distribuídos entre provedores de cloud, ambientes SaaS e data centers locais. Esse modelo trouxe escalabilidade, velocidade e redução de custos, mas também expandiu de forma significativa a superfície de ataque. Com o crescimento de ambientes híbridos e multicloud, a complexidade operacional aumentou. Empresas passaram a lidar simultaneamente com diferentes arquiteturas, modelos de segurança, políticas de acesso e mecanismos de monitoramento. Nesse contexto, surge uma percepção equivocada: a de que “a nuvem é segura por padrão”. Embora provedores ofereçam infraestrutura robusta, a responsabilidade pela proteção de dados, acessos, configurações e aplicações continua sendo da organização. O resultado é um aumento dos riscos operacionais e de segurança. Atacantes exploram lacunas entre ambientes, erros de configuração e identidades mal gerenciadas. A nuvem, longe de ser apenas um recurso tecnológico, torna-se um novo campo estratégico de defesa cibernética.
Os novos padrões de MFA em 2026: o que realmente funciona contra ataques avançados
Por Helena Motta 13 de janeiro de 2026
D urante anos, a autenticação multifator (MFA) foi tratada como o “antídoto definitivo” contra ataques baseados em credenciais. Implementar um segundo fator parecia suficiente para reduzir drasticamente o risco de invasões. Em 2026, essa lógica já não se sustenta sozinha. O avanço dos ataques baseados em identidade mostrou que nem todo MFA oferece o mesmo nível de proteção e, em alguns casos, pode até criar uma falsa sensação de segurança. Hoje, a pergunta central não é mais “sua empresa usa MFA?”, mas sim: que tipo de MFA está sendo utilizado e se ele é capaz de resistir a ataques avançados, automatizados e orientados por engenharia social. O mercado caminha para padrões mais inteligentes, adaptativos e resistentes a phishing, alinhados a estratégias de Zero Trust e proteção contínua de identidade.
Tendências de cibersegurança para 2026: o que muda na prática para as organizações
Por Helena Motta 19 de dezembro de 2025
A cibersegurança entrou em um novo momento. Se nos últimos anos o foco esteve em acompanhar a digitalização acelerada e o crescimento da nuvem, o cenário que se desenha para 2026 é mais estrutural: tecnologias avançando em ritmo exponencial, ataques cada vez mais automatizados e uma pressão crescente por maturidade, resiliência e governança. De acordo com análises recentes publicadas por veículos especializados e relatórios globais de segurança, o desafio deixa de ser apenas “proteger sistemas” e passa a envolver a capacidade das organizações de integrar segurança à estratégia do negócio, com visão de longo prazo. No artigo de hoje, reunimos as principais tendências que devem definir a cibersegurança em 2026, com base em relatórios de mercado, fabricantes e especialistas do setor.
IA como usuário: o futuro da identidade digital e o desafio da autenticação autônoma
Por Helena Motta 3 de dezembro de 2025
A A presença de agentes inteligentes em sistemas corporativos já saiu do campo da experimentação e entrou na rotina operacional. Bots que reservam salas, agentes que sincronizam dados entre serviços, e assistentes que executam ações em nome de equipes são exemplos de um fenômeno que exige repensar o que entendemos por identidade digital. Quando uma inteligência artificial age como um usuário, quais são as garantias mínimas de quem ela é, do que pode fazer e de como suas ações serão rastreadas? Este artigo explora esse novo cenário, os limites dos modelos atuais de autenticação e caminhos práticos para a transição a um modelo de identidade que suporte agentes autônomos de forma segura e auditável.
Infraestrutura de pagamentos: o que não pode falhar na Black Friday
Por Bruna Gomes 19 de novembro de 2025
A Black Friday se consolidou como uma das datas mais importantes para o varejo digital, impulsionando picos de acesso e volumes de transações muito acima da média ao longo de poucas horas. Para as empresas, esse é um momento decisivo: além da oportunidade comercial, há também um aumento significativo da pressão sobre toda a estrutura tecnológica que sustenta a jornada de compra. Entre todos os componentes da operação, a infraestrutura de pagamentos é uma das partes mais sensíveis e a que mais impacta diretamente o faturamento. Diante desse cenário, preparar a infraestrutura de pagamentos é essencial para manter a operação estável, garantir altas taxas de aprovação e proteger a continuidade do negócio.  Neste artigo, exploramos os principais riscos, os gargalos mais comuns e as práticas fundamentais para enfrentar a Black Friday com segurança e eficiência. Continue a leitura!
Entenda o impacto do uso de IA generativa em ataques cibernéticos
Por Helena Motta 4 de novembro de 2025
Neste artigo explicaremos como a IA generativa está sendo usada em ataques cibernéticos, quais são os impactos para as organizações e quais medidas práticas podem ser adotadas para mitigar esses riscos.
Usuário não-humano: o desafio da identidade digital para sistemas
Por Bruna Gomes 22 de outubro de 2025
Neste artigo, vamos entender o que são usuários não humanos, por que eles representam um desafio para a segurança digital e o que sua empresa pode (e deve) fazer para gerenciar essas identidades com mais controle, visibilidade e proteção.
O que a nova estratégia nacional de cibersegurança significa para empresas brasileiras
Por Helena Motta 7 de outubro de 2025
Nesse artigo vamos compreender como as principais decisões estabelecidas na Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) impactam as empresas brasileiras.
Por que cibersegurança também deve estar na pauta do RH e do Marketing?
Por Bruna Gomes 24 de setembro de 2025
Quando pensamos em cibersegurança, é comum imaginar que a responsabilidade está apenas nas mãos da equipe de TI. Mas, na prática, as ameaças digitais estão cada vez mais ligadas ao comportamento das pessoas e ao uso estratégico da informação. E isso envolve diretamente outras áreas da empresa, como RH e Marketing. Esses dois setores lidam com dados sensíveis, canais de comunicação e relacionamentos essenciais para a reputação da marca. Por isso, também estão entre os alvos preferenciais de cibercriminosos. Neste artigo, vamos mostrar por que a segurança digital precisa ser compartilhada com todas as áreas do negócio, quais são os riscos que atingem diretamente o RH e o Marketing, e como essas equipes podem contribuir ativamente para proteger a empresa. Continue a leitura!